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P. N. Aparados da Serra, Serra Geral e Serra Gaúcha

 

Não cansamos de nos surpreender com o Brasil.
Viajamos mais para o Nordeste, principalmente por causa da nossa grande paixão pela Chapada Diamantina, na Bahia.
Eu nunca havia ido até o Rio Grande do Sul. O Mauro já conhecia e me dizia que era bem diferente de outros cantos do Brasil. Resolvemos passar o Reveillon 2009/2010 para esses lados e além das tradicionais cidades da Serra Gaúcha, acrescentamos ao roteiro o Parque Nacional dos Aparados da Serra e o Parque Nacional da Serra Geral.

Aparados da Serra e Serra Geral são dois parque limítrofes, localizados na fronteira do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Conta com formações rochosas que parecem ter sido aparadas para criar canyons profundos. As paisagens são belíssimas!!! Tem como cartões postais os canyons do Itaimbezinho e da Fortaleza, além da Pedra do Segredo.

 

 

A entrada do Aparados da Serra é paga, R$6,00 por pessoa. Por esse valor, você conta com infra-estrutura para o turista com estacionamento, banheiros, lanchonete, mesas para pic-nic e centro de atendimento ao turista, com maquetes e foto do local. Seus caminhos são calçados e de grau de dificuldade baixo.  Lá você irá conhecer o canyon do Itaimbezinho. O esforço benefício é excelente, pois a caminhada é curta, grande parte dela por passarelas e as paisagens são deslumbrantes!!!

 

 

O parque da Serra Geral tem entrada gratuita. Mas também não tem infra-estrutura nenhuma. Nem cordas de segurança separando você do abismo. Para chegar até o canyon da Fortaleza, você realiza uma trilha, com muitos trechos de subida e bastante pedra. Foi cansativo. O pior é que estava uma neblina terrível, que não nos deixou ver nadica de nada. Esperamos lá em cima por uma hora, aproximadamente. Tivemos que descer sem poder apreciar a profundidade do canyon. Pois é, nesse tipo de programa, temos que estar preparados para esses caprichos da natureza também.

Mesmo com a neblina, resolvemos fazer a trilha para a Pedra do Segredo. Encontramos um casal de turistas no caminho e fomos juntos pois não existe trilha demarcada. Na verdade, na estrada existe uma placa indicando o lado para onde fica a trilha para a tal da pedra. Depois, vá seguindo a trilha marcada pelos passos dos turistas. Você acompanhará um rio, pela margem e em determinado ponto, terá que cruzar esse rio. Do outro lado foi a parte mais difícil pois a trilha não estava nada marcada e ficamos dando algumas voltas. A sorte é que o rapaz do casal já tinha ido há muito tempo atrás, num dia sem neblina e conseguiu descobrir a tal da pedra. Não vimos graça nenhuma. Depois pudemos ver umas fotografias do lugar num dia claro, com o canyon ao fundo, e putz, era bem bonito. Deu raiva de ter ido até lá e não ter conseguido ver nada. Novamente. Fazer o quê? Na natureza é assim mesmo.

Mas de onde vem tanta neblina? Nessa região é normal ocorrer o fenômeno da “viração”, forte neblina criada pela condensação do ar quente e úmido que vem do litoral e sobe pelo canyon encontrando o ar frio. Acontece de uma hora para outra e dizem ser mais comum à tarde. Na nossa experiência, a neblina chegou quando saímos do Aparados da Serra e fomos conhecer a serra do Faxinal, chegando em Praia Grande. Dizem que o passeio é belíssimo mas de novo não pudemos ver nada, pois foi nesse ponto que a “viração” nos pegou. E não largou mais, até o dia seguinte. Comparando com outras pessoas, até que tivemos sorte. Ouvimos relatos de viajantes que nem o Itaimbezinho viram.

Durante os dias de visita aos Parques Nacionais, ficamos instalados na cidade de Cambará do Sul. Ela é considerada a porta de entrada dos parques,  pois se localiza a apenas 18 km (de terra) da entrada do Aparados. Cambará do Sul tem potencial para receber turistas. Possui um grande centro de informações, com diversas fotos e reproduções do ecossistema local. A cidade conta com restaurantes e hotéis pequenos e confortáveis. Mas não é uma cidade bonitinha, que enche os olhos como Gramado ou Canela. Não possui tantas lojinhas e entretenimento. Além disso, achamos a cidade barulhenta. A rua do hotel onde ficamos hospedados faz parte da rota de caminhões que passa por dentro da cidade, transportando materiais para uma grande fábrica de celulose instalada nos arredores. Como se não bastasse esse barulho, parecia que todos nossos vizinhos tinham ganhado do Papai Noel uma serra elétrica e ficavam serrando horrores no final da tarde, começo da noite. Pode até ser uma tradição local, mas para nós não foi muito agradável não.

Nossa viagem continuava em direção de Gramado e Canela, na Serra Gaúcha. No caminho, resolvemos incluir um off-road  e fizemos as travessias do Passo do S e do Passo da Ilha.

O Passo do S se localiza entre as cidades de Jaquirana e São Francisco de Paula. Consiste em atravessar o rio Tainhas por um lajeado. Existe uma marcação no rio com estacas de madeira que orientam o motorista. Não é muito difícil, mas é bem emocionante!

Gostamos da brincadeira e resolvemos fazer o Passo da Ilha também. É parecido com o do S, um lajeado no rio Tainhas. Só que esse trecho é mais longo, mais fundo e sem a marcação de estacas de madeira. No Passo da Ilha funciona o camping Passo da Ilha (excelente por sinal) onde pegamos algumas informações com um pessoal por onde teríamos que atravessar. Essa travessia é realizada em duas etapas: primeiro até a ilha, onde as pessoas acampam e estacionam seus carros e depois até a outra margem. Muito legal!

 

Seguimos então em direção a Canela, onde passamos o Reveillon. Canela e Gramado são muito próximas: são 8 km que separam as duas cidades. Mas apesar disso têm características próprias: Canela é menor e mais calma; Gramado, maior e com um centro mais agitado. As duas se complementam.

São cidades românticas, com hotéis e pousadas charmosas, lojinhas e bons restaurantes. Você passa as horas caminhando pelo centrinho, sentando de vez em quando para tomar um chopp de alguma cervejaria local ou comer um appfelstrudel, indispensáveis.

Por sinal, come-se muito bem nessas cidades. Conheci as galeterias e fiquei viciada em galetos! É tradicional da região o café colonial, que tem grande fartura de pratos. O café quase nem aparece, entre tantas opções servidas. Os pratos típicos como chocolates artesanais, tortas de maçã, fondue, polenta, salsichão foram introduzidos pelos imigrantes europeus, a maioria de ascendência italiana e alemã. A culinária é um grande cartão postal da região.

Visitamos as Serras Gaúchas na época do Natal Luz. Nesse evento, as cidades se enfeitam com muita decoração natalina. Existe até concurso da árvore natalina mais criativa na Av. Borges de Medeiros! Não fomos em nenhuma apresentação do Natal Luz pois os ingressos estavam esgotados. Se você quiser participar, programe com antecedência e saiba que os preços não são muito amigos não.

A região não tem só chocolate e Papai Noel, também existem passeios de natureza. A cachoeira do Caracol, por exemplo, fica em Canela. È um parque particular, onde se paga a entrada e estacionamento. Existem mirantes para apreciar a bela queda d’água. Caso você esteja empolgado, 750 degraus abaixo te levam até o encontro da água com o chão. Rolou uma preguiça braba e preferimos ficar de boa, curtindo as hortênsias perto do mirante mesmo. Deve ter sido efeito daquela cereja na torta de maçã.

O parque da Ferradura fica ali perto. O rio forma o desenho de uma ferradura. Existem três pontos de observação, com escadarias seguras. Também existe uma trilha que chega até o rio. Mas estávamos com preguiça (aquela cereja!) e só a vista valeu a pena. Esse parque também tem a entrada paga, mas é menos lotado que o do Caracol. Vimos muitas famílias organizando piqueniques na deliciosa e sombreada área gramada, que conta com churrasqueiras cobertas com mesas e playground para os pequenos.
 
 
 
 Na estrada que liga os dois parques, famílias da região colocaram 52 imagens de santos que foram abençoadas pelo padre. O Caminho das Graças, como é conhecido na região, conta ainda com a Capela Santa Cecília, padroeira dos músicos. Em dezembro e janeiro acontecem os Concertos de Verão, com apresentações de música erudita e essa singela capelinha é um dos espaços escolhidos para abrigar esse evento.
 
Já em Gramado, um passeio ao ar livre delicioso é o Lago Negro. Como um bom roteiro de lua de mel, existem pedalinhos para serem locados, cisnes para serem alimentados... Mas o que chamou nossa atenção nesse lago foi a quantidade de hortênsias floridas.

Num momento de insanidade, resolvemos visitar a Aldeia do Papai Noel. Pra nós foi meio sacal. Mas pode ser um programa divertido pra passar uma hora com crianças pequenas.

Visitamos ainda o Hollywood Dreams cars, um museu de carros e motos antigos de tirar o fôlego. Esse sim eu recomendo!

A catedral de Canela é um programa obrigatório. Em estilo gótico, é maravilhosa tanto por dentro quanto por fora, de dia e à noite. Não perca.

Pertinho dessas cidades está Bento Gonçalves, cidade conhecida pelas suas vinícolas. Fizemos o roteiro focando nossas visitas e degustações às menores e menos conhecidas. Você pode degustar além de vinhos, sucos de uva, vinagres balsâmicos e geléias. Voltamos com o carro cheio de produtos.  Mas fique atento, a degustação de tantos vinhos pode ser um problema na condução dos veículos  pelas estradinhas dos vinhedos. Lembre-se de comer entre uma vinícola e outra e maneirar no copo.

Começamos pela Vinícola Peculiare, onde compramos vários sucos de uva naturais. Passamos pela Casa Valduga, mas não entramos pois tinha espera. Seguimos para a Don Laurindo, que além de ótimos vinhos tannat, nos surpreendeu com um excepcional vinagre balsâmico, bem equilibrado e nem um pouco ácido. Depois de uma breve parada na Casa da Madeira onde compramos ótimas geléias e grappa, fomos para a Lídio Carraro. Mais alguns goles, mais garrafas no porta malas, e já procuramos algo pra comer. Achamos no Vallontano além da loja de vinhos, um ótimo café bistrô com massa bem honesta e atendimento atencioso. Vale citar a ótima espumante rosê da Vallontano que terminou de encher nosso porta malas. Veja nesse link um mapa do vale dos vinhedos.

Entre Cambará do Sul e Canela, ficamos 8 dias na região, o que foi suficiente para conhecer as principais atrações. Existem outros programas na região, como visita ao Templo Budista e o Alpen Park, mas não os fizemos por falta de vontade mesmo.

No comecinho do texto escrevi algo sobre a diferença entre o sul do Brasil com outras regiões. E é esse ponto que quero retomar. Como disse antes, a colonização da região é italiana e alemã. Assim como em Manaus, a constituição física das pessoas é bem peculiar, diferente é quem não tem olhos e pele claros. Mas isso não chamou tanto a atenção quanto a diferença de cultura. Em primeiro lugar, o povo se mostrou extremamente polido e cortês. Quando, que em São Paulo o motorista pára o carro pro pedestre atravessar? Também foi muito marcante a sensação de segurança que experimentamos nessas cidades. Não fomos abordados nenhuma vez por flanelinhas, e apesar de também existir pobreza lá, não vimos a população usá-la para abordar turistas pedindo esmolas. Eu fiquei extremamente surpresa em encontrar isso aqui no Brasil. Foi uma experiência enriquecedora.

Dicas

Quando ir: depende do que você quer. Se você quiser passar muito frio, tentar ver neve e tirar fotos junto ao termômetro, vá no inverno. A temperatura pode chegar a alguns graus negativos . Nessa época do ano as paisagens ficam mais nítidas. Evite ir em setembro, quando chove mais. A “viração”, neblina densa e repentina que ocorre nos Parques da Serra Geral e Aparados da Serra, ocorre com mais freqüência no verão. Em dezembro, existe o Natal Luz em Gramado. A cidade fica cheia, os preços sobem muito. É a alta estação da região.

Como ir: de pacote, de carro ou de avião. Nós fomos com nosso carro, saindo de Santos (Santos-Gramado 1053km) pela BR 116. Como a estrada é mão dupla e pegamos trânsito principalmente na Régis Bittencourt e para não ficar puxado, pernoitamos em Curitiba. Mas se você sair cedinho dá pra fazer esse percurso num dia só.

Quanto tempo ficar: a região oferece muitas atrações. Caso você queira conhecer os Parques Nacionais Aparados da Serra e Serra Geral, em uma semana é possível realizar todos esses passeios com tranquilidade.

Quem vai: a região oferece atrações para todas as faixas etárias, das crianças à 3ª idade. Casais em lua-de-mel ou jovens enamorados são grande número pois as cidades da serra são muito românticas, com lagos, restaurantes e pousadas charmosas. A subida para o Canyon da Fortaleza é forte, com muitas pedras. Caso leve crianças, muito cuidado com elas pois não tem cordas nos precipícios e você que deverá  impor o limite de segurança.

Hospedagem: Gramado e Canela contam com inúmeras pousadas. Verifique, pois algumas não aceitam menores de idade. Em Canela, ficamos na La Vie em Rose, muito charmosa. Eles oferecem pacotes especiais para baixa estação. Cambará do Sul não conta com uma rede hoteleira grande como suas vizinhas. A pousada que ficamos foi a Pôr-do-Sol e se não fosse o barulho, teria sido excelente.

Alimentação: provavelmente você irá engordar uns quilinhos. A comida é muito gostosa! Galetos, cozinha italiana e alemã, chocolates, strudel, fondue, café colonial, vinho... tudo muito delicioso! Em Canela, descobrimos o Strudelhaus (R. Baden Powell, 246 f. 3282-9562) que foi nossa melhor experiência gastronômica. Fica numa rua super tranqüila, mas os donos disseram que iriam para um lugar maior. O dono é alemão, casado com uma brasileira, e também, cozinheiro de mão cheia. Um casal muito simpático! Recomendamos !

Preparativos: mesmo no verão, é bom levar agasalhos, pois a temperatura pode cair à noite. Protetor solar e labial caem bem. No inverno, faz muito frio. É hora de tirar do armário os casacos pesados, cachecóis, luvas, gorros e meias calças de lã.

Passeios/programas:

Parque Serra Geral: fizemos na maior neblina o canyon da Ferradura, a cachoeira do Tigre Preto (fica no caminho do canyon) e a trilha da Pedra do Segredo. Ainda oferece outras trilhas para outros canyons como o de Malacara e Churriado. O nível de dificuldade é médio.

Parque Aparados da Serra: a morada do Itaimbezinho, o canyon mais famoso da região. Tem entrada paga e infra-estrutura, como banheiros e centro de informação ao turista, diferentemente do Serra Geral. O nível de dificuldade é baixo, tem passarelas que te levam aos mirantes.

Off-road: Passo do S e Passo da Ilha: travessia do rio Tainhas em dois pontos diferentes, passando com o carro por um lajeado. Emocionante! Indicado para carros 4x4.

Gramado: Fizemos o Lago Negro, onde pudemos nos deslumbrar com toneladas de hortênsias floridas; Hollywood Dream Cars, um museu de automóveis irado; a aldeia do Papai Noel, absolutamente dispensável; caminhadas pelas ruas observando lojinhas e comendo deliciosos chocolates. Mas existem outros programas como o Gramado Zoo, o Mini Mundo e o Templo Busdista Chagdud Gonpa Khandro Ling, um templo ao estilo tibetano.

Canela: Visitamos o Parque do Caracol e da Ferradura (ambos com entrada paga). A cachoeira do Caracol é linda! A catedral da cidade no estilo gótico merece uma visita. Não fizemos, mas existem outras atrações na cidade como o Alpen Park e o Parque da Cachoeira.

Bento Gonçalves: percorremos as vinícolas de Bento e voltamos com o porta malas cheio de vinhos, suco de uva, geléias e vinagre balsâmico.

Compras:  chocolates, roupas de frio, vinhos, móveis e peças de madeira. Gostei especialmente do Atelier de Marchetaria, na Borges de Medeiros (avenida principal de Gramado) que realiza lindos arranjos e guirlandas com hortênsias desidratadas.

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