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Jalapão, TO

veja também nossas Dicas do Jalapão

 

           A viagem ao Jalapão foi gestada durante muito tempo. Uns nove anos antes de realizarmos, vi uma nota num jornal falando sobre o “deserto brasileiro”, as belezas desse canto do Brasil quase inacessível, a não ser que se tenha um 4 x 4.

            Os anos se passaram e mais informações sobre o Jalapão foram aparecendo na mídia, mas sempre se falando da necessidade de se ter um carro com tração para realizar essa viagem.

            Quando nos casamos, cheguei a pesquisar preços para irmos para lá. Mas ao fazer a cotação, que desespero! Os pacotes não saiam por menos de R$5.000,00 por pessoa. Com esse valor, valia mais a pena irmos para a Europa ou Macchu Picchu, destinos mais distantes e internacionais.

            Estava tão curiosa para conhecer essa região e falava tanto pro Mauro que, pimba! Conseguimos comprar um GM Tracker 4x4 e óbvio, fomos realizar esse sonho! Com apenas 100km de uso, colocamos nosso bebê na estrada e encaramos o desafio de desbravar essa região!

 Nosso bebê bem sujinho!

              Engraçado ver a reação das pessoas ao se falar que se vai pro Jalapão. “Japão”, não Jalapão!!! Fica no norte do Brasil, no Tocantins! “Tocantins? Ahhhh....” –silêncio absoluto.

 

          

      Poucas pessoas ouviram falar. Menos ainda foram visitar. E talvez por isso é um lugar onde pudemos sentir a natureza tão próxima e preservada. Nas estradas ao redor do parque, nós avistamos muitos animais. Corujas, araras azuis, maritacas, siriema, ema, lobo guará e outras aves que não sei nomear. Ao nosso encontro, esses animais ficavam tão curiosos quanto a gente. Eram ariscos como todos animais silvestres mas percebiam que não estávamos ameaçando o espaço nem a vida deles. Então, nos olhavam e seguiam seus caminhos. Nem que os seus caminhos significasse atravessar a estrada correndo loucamente como fez a ema.

 

          Cuidado! Emas malucas cruzando a estrada! 

            O Jalapão é considerado um Parque Estadual de Tocantins. Se localiza ao leste desse estado, perto da Bahia e do Piauí. Da nossa cidade (Santos-SP) até lá foram pouco mais de 1800 km. Bastante, não?

 

 Saímos de Santos-SP, da praia do José Menino.

           

 

             Mas não fizemos essa distância toda em um dia. No caminho, planejamos passar em Pirenópolis, GO. Uma parada estratégica e agradável.

 

            Nossa chegada ao parque foi por Ponte Alta de Tocantins, a cidade considerada o portão de entrada do Jalapão. A cidade é micro e diz ter a melhor infra-estrutura ao turista. O melhor ponto de apoio ao está na Pousada Planalto, onde ficamos hospedados e o dono, Seu Noli nos deu algumas dicas. Não do que fazer, mas de como fazer.

Jalapão é isso: você sabe o que quer fazer, quais são as atrações imperdíveis. Só que o grande problema é se chegar nesses lugares. As dicas que tivemos foram: quando tiver uma bifurcação com uma árvore maior, pegue a estrada da esquerda. Ou, quando tiver uma ponte meio encoberta por árvores, pare o carro e veja se escuta alguma coisa do lado direito!  As atrações têm poucas ou nenhuma informação e cada quilometro rodado traz a dúvida que não cala: será que estamos indo pro lado certo? Adrenalina pura! Considerando principalmente que você está sem sinal de celular e sem encontrar ninguém por quilômetros e quilômetros.

 

 Finalmente, alguém!

           

            As atrações são distantes umas das outras. Portanto, dividimos nossos dias assim: duas noites em Ponte Alta e duas em Mateiros.

            Começamos pelo Jalapão não tradicional, pegando a estrada de volta em direção a Pindorama e saindo num acesso a esquerda. Nesse acesso, vai-se contando os quilômetros rodados e vira para a esquerda quando aparece uma bifurcação. Paramos primeiro na cachoeira da Fumaça e seguindo uma trilha ao lado da queda, a gente consegue chegar atrás dela.

Essa é a cachoeira da Fumaça

 

 

Depois fomos a cachoeira do Soninho, mas não conseguimos encontrar a trilha para chegar embaixo dela, só a vimos de cima. Mas mesmo assim, rendeu um delicioso banho de rio e um almoço na estréia do nosso super-fogareiro!

 

            Na volta resolvemos passar na Pedra Furada, uma formação de pedra com erosão que forma um furo, causado por intempéries naturais. Infelizmente chegamos lá junto com a chuvarada que estava ameaçando cair fazia tempo, ficamos com receio de atolar no primeiro dia e nem deu tempo de sair do carro para bater a foto.

            Lembrei da dica que nos deram para a entrada da tal Pedra foi “Vocês verão uma árvore frondosa na frente de uma porteira. Pode abrir a porteira, entrar e seguir mais alguns quilômetros.

          Saindo de Ponte Alta, encontramos essa placa

 

     No nosso segundo dia, já saímos com as malas em direção a Mateiros e passamos por algumas das atrações mais tradicionais do parque. Foi muito mais fácil encontrá-las pois nesse trecho existem placas indicando as distâncias até elas.

 

         A primeira atração do dia foi a Gruta do Sussuapara, um maravilhoso canyon com pequena cachoeira. Para se descer até o canyon, é necessário estar bem atento para não escorregar. Não vá de chinelo, além de escorregadio tinha muitos formigueiros no meio da trilha. A cachoeira não é nada perto da sensação de se andar próximo as paredes do canyon. O local é muito úmido, não bate sol diretamente, com muita vegetação presa nas suas paredes. Musguinhos para todo lado! Tome cuidado, por causa da umidade, pode ter cobras descansando. Nós vimos uma enroladinha, no ecossistema ideal para sua existência.

 

 

 

 

 

 

            Seguimos então para a Cachoeira do Lajeado. Redobre a atenção! A trilha para os carros é meio charquenta, logo abaixo da terra tem uma camada de água com lama. Pior depois de um dia de chuva, a água vai brotando enquanto as rodas vão girando.  Nós só não atolamos porque o Mauro, bom motorista que só, foi jogando o carro de um lado pro outro. O problema de atolar ali era que não ia ter como tirar o carro sem a ajuda de outro carro com tração. Como não existia mais nenhum carro por perto (nem por longe), achamos melhor não bobear. Tentamos de todas as formas encontrar a queda da cachoeira, procuramos trilhas ao lado e nada. Não conseguimos descobrir como ver a cachoeira por inteiro e ficamos na parte de cima, no lajeado. Infelizmente, depois que voltamos um conhecido nos disse o segredo: não existe trilha no mato, o caminho é pela cachoeira. É para ir descendo pela lateral dela. Por sinal, vimos umas fotos e é uma cachoeira maravilhosa. Acho que teremos que voltar!

           

            Saímos do Lajeado antes da chuvarada que nos pegou na estrada. A estrada que é de pedra, terra e areia, com a chuva ficou muito perigosa. O carro deslizava para o lado que ele queria. O Mauro teve que segurar o carro no braço, foi um desgaste enorme. Mas uma aventura que ainda não conseguimos repetir. A sensação de estarmos deslizando na areia, no meio do nada, foi melhor que montanha russa. Como choveu! Essa foi a terceira atração do dia: deslizar 100km durante duas horas, no centro do Brasil!

 

 

            Chegando a Mateiros, fomos fazer a cachoeira do Formiga, que fica um bocadinho prá frente. Pagamos a taxa de entrada para um grupo de pessoas não muito amigáveis (eles estavam brincando de acertar latinhas de cerveja com uma espingarda), e fomos para o poço. Indescritível a tonalidade da água! Ficamos um tempão do lado de fora, namorando o lugar. Achei que a água era meio geladinha, com aquela cor de degelo verde. Que nada! Uma água muito da quentinha, ficamos outro tempão mergulhando naquelas águas cristalinas. Relaxamos geral!

 

 

 

    Próxima parada: Fervedouros.

Fizemos dois: o tradicional e do Korubo. Pagamos taxas de entrada nos dois. O Korubo é maior que o tradicional mas preferimos o menor. Você lê, lê mas somente entrando num lugar assim é que vai compreender. A cor do poço, transparente-esverdeada, cercado de bananeiras, com uma areia branca no fundo. Você vai caminhando devagar, pé firme no chão e de repente! Acabou o chão, você está flutuando no meio do poço, com areia entrando por todos os lados!!!! Esse fenômeno se chama ressurgência, a água saindo com muita pressão do lençol freático e fazendo flutuar tudo que tiver na sua frente.                               Inclusive você!

           

 

         No próximo dia, voltamos um pouquinho na estrada em direção a Ponte Alta para fazer as dunas. O dia estava ensolarado, especial para apreciar as tonalidades da paisagem. As dunas são de uma coloração avermelhada, contrastando com o lindo céu azul que fazia no dia. Foi esse o único ponto turístico que encontramos outras pessoas. Todos os outros fizemos sozinhos.

 

  Não estamos sós.      

 

 

             Seguindo adiante, fomos até a Cachoeira da Velha, na verdade, uma catarata, com um volume d’água assombroso. Foi o ponto com melhor infra-estrutura que visitamos, com algumas passarelas construídas, e o melhor mapa que encontramos da região.

 

 

            Depois fomos à praia do Rio Novo. Simplesmente divina! É o  lugar ideal  para acampar mas não conseguimos descobrir se era permitido ou não. Não tinha ninguém para perguntar.

 

Tem alguém aí?

 

            De volta a Mateiros, fomos comprar artesanato de capim dourado numas cooperativas de artesãos. O artesanato é muito bonito, vale a pena trazer algumas peças pra presentear seus amigos. Existem lojas em shoppings com esses produtos com preços muito, mas muito altos mesmo. Durante as comprinhas, conhecemos três geólogos e fomos jantar com eles, na pousada onde estavam hospedados.

 

A erosão da Serra do Espírito Santo forma as dunas do Jalapão

           

             Dia seguinte, partimos em direção a Bahia, por uma estrada que não existia no mapa, mas que o dono da pousada de Mateiros gentilmente nos desenhou, explicando: vai chegar uma hora que vocês vão achar que estão perdidos; continuem em frente que vocês chegam. Dito e feito.

            A estrada passava no meio de gigantescas plantações de soja. O cerrado está perdendo seu espaço para o cultivo. A mudança da vegetação do cerrado para mata atlântica foi percebida pela mudança de temperatura e vegetação natural.

            A estrada pelo meio das fazendas de soja não foi o problema. O pior trecho foram uns 200 km de terra/asfalto ruim entre Coaceral e Riachão das Neves, na Bahia. Cruzamos o Rio São Francisco, o véio Chico e chegamos exaustos na Estalagem do Alcino, na Chapada Diamantina.

            A Chapada? É um capítulo a parte, detentora de nosso profundo carinho e admiração. Tem um link especial. Dê uma passadinha por lá!

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