Lugares‎ > ‎

Chapada Diamantina, BA

 
Mirante do Vale do Pati

veja também nossas Dicas da Chapada Diamantina 

 

Chapada Diamantina

 

            A Chapada Diamantina é um Parque Nacional criado em 1985 com o objetivo de preservar, as paisagens cênicas da região e as nascentes dos principais rios que alimentam a Bahia. Fica localizada no centro da Bahia e pertence aos municípios de Lençóis, Andaraí, Palmeiras, Mucugê e Ibicoara. O relevo caracterizado pelas chapadas, com altitudes variando de 400 a 1200 metros, contribui para a biodiversidade da região.  Portanto, quando for prá lá,

esqueça caatinga e seca, pois a Chapada é recheada de cachoeiras, milhares de espécies de plantas, muitas endêmicas, e visuais arrebatadores.

Essa diversidade de paisagens impressionantes, presentes no mesmo lugar, nos fez ficar apaixonados, fazendo com que a chapada seja nosso destino mais visitado. Por lá se pode visitar morros, canyons, vales, grutas e cachoeiras. Além disso, existem infinitas de trilhas que passam pelo meio do parque e que levam a gente para dentro desse cenário.

 

Não podemos nos esquecer das pessoas que vivem lá, sejam nativos, sejam migrantes apaixonados, que lá se estabeleceram. Um povo extremamente simpático e cordial.                       

            Infelizmente esse lugar paradisíaco também tem seus problemas. Hoje se o garimpo do ouro e extração do diamante não assustam mais, o gado e suas queimadas sempre provocam estragos no ecossistema. É um problema muito sério, que sempre aparece na mídia.

            Com tanta coisa para fazer e se conhecer, fica difícil realizar todos os passeios de uma só vez. Nós já carimbamos nosso passaporte para lá quatro vezes, nos anos de 2003, 2005, 2007 e 2009. Portanto, esse diário será a impressão de todos esses anos, separados por atrações e pelo ano visitado.

 

 

Cachoeiras

 

           As águas e pedras da chapada possuem características muito fortes. Apesar de limpas, as águas na maioria são escuras, parecem chá-mate.

      Impossível escrever das águas e não comentar sobre as pedras. As duas vivem juntas. As pedras parecem que sobrepõe-se umas as outras. Em todas as trilhas que margeiam rios, minha impressão é que houve um grande desmoronamento, e nunca ninguém conseguiu arrumar a bagunça que ficou.

            Há uma infinidade de cachoeiras na Chapada Diamantina, de difícil e fácil acesso, com águas geladas ou mornas, transparentes ou escuras, altas ou baixinhas, com canyon, sem canyon, com gente, sem gente. Ufa! Difícil escolher qual a melhor.

 

Cachoeira do Buracão (2003): considerada por nós a número um. Ela fica no município de Ibicoara, a uns 200 km de Lençóis. O acesso é fácil, com uma trilha muito agradável, com muitas paradas para banho. No caminho, passamos por mais duas cachoeiras, uma delas subterrânea, pois não tem rio nem poço (água sai de dentro de uma parede e corre para baixo das pedras). O gran finale é o Buracão mesmo. Quando acaba a trilha, você chega a um desfiladeiro com rio e não avista a cachoeira, somente o som forte da água. Tem duas alternativas: pode ir nadando contra a correnteza até a queda ou caminhar agarrado às pedras do canyon, chegando lá seco e com a câmera fotográfica a salvo. Então você chega num buracão, com aquela água toda despencando. Para voltar, ou pelo canyon novamente ou levado pela correnteza do rio. Esse é um lugar de sentir. As fotos não conseguem traduzir o impacto que nós sentimos.

 

 

 

 

Cachoeira da Fumaça (2003): para se chegar nela, tem uma trilha íngreme, com poucas árvores no caminho. Quando fomos tinha pouca vazão de água, e a cachoeira pouca fumaça tinha. Ela assim se chama por sua queda ser de 400 metros de altura, e de tão alta, não chega direito lá embaixo, vira fumaça. Existe também a trilha de três dias para ver a Fumaça por baixo. Ainda não fizemos mas dizem ser um trekking belíssimo.

 

 

Cachoeira do Cristais e Três Barras (2003): a única trilha que fizemos sem a presença de mais ninguém a não ser o guia, foi essa. Uma trilha muito difícil, que exigiu muito esforço físico e cuidado, principalmente porque havia chovido e o rio estava alto, exigindo que fizéssemos um canoying (caminha nas pedras no leito do rio). Na verdade, canoying com saltos, já que passamos metade da caminhada pulando de pedra em pedra. Foram 16 km de caminhada no total, nessas condições. Essas cachoeiras ficam na serra do Capa-Bode, um dos locais mais altos da Serra do Sincorá. Valeu, pois as cachoeiras são lindas, principalmente a dos Cristais. Além disso, passamos por um campo onde cristais estavam espalhados pelo solo! Pareceia que alguém tinha derrubado alguns sacos de cristais, para enfeitar a caminhada! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 

 

 

Cachoeira do Mosquito (2007):

Na verdade, visitamos essa cachoeira em 2006, no último dia do ano, aproveitando assim para tomar um belo banho de descarrego, limpando o corpo para receber todas as energias positivas do novo ano que já estava na porteira. A trilha de 2 km é considerada fácil mas no final exige um pouco mais pois precisamos atravessar um rio com água até o joelho e descer um barranco bem íngreme. A cachoeira é linda, emoldurada pelas pedra características da região e ótima para se banhar. Fica numa propriedade particular, então paga-se uma taxa para visita.

 
 
 
 
 
 
 
 

Cachoeira do Sossego (2007): infelizmente, de sossego não teve nada! A trilha foi difícil, pois vai-se beirando o rio, pulando pedras. Nós resolvemos ir sem guia e num trecho a trilha acabou. Procuramos e nada. Quando estávamos desistindo e voltando, tristes, um casal passou acompanhado por um guia e voltamos, para ver qual era o caminho. Nesse trecho, tem que cruzar o rio e passar por baixo de uma pedra. Daí pra frente, a trilha continua e se chega a cachoeira. Por sinal, no dia que nós fomos, o tal Sossego estava acompanhado de uma galera que pulava e gritava loucamente nas suas águas. Tomamos um banho rápido e voltamos a trilha, registrando a pegadinha da “passagem pela pedra” e aproveitamos para tomar banho de rio num lugar mais tranqüilo.

                     
Parece que houve um desmoronamento nas trilhas
Poço do Diabo (2005): por ser de fácil acesso, estava mais que lotado de gente. É um lugar bom e bonito para banho, próximo de Lençóis (sentido Mucugê). Preferimos ficar no rio na parte de cima da cachoeira, ótimo para relaxar.

Cachoeira do Raposo e Brumado (2005): fica em Rio de Contas e para se chegar nelas, pegamos o caminho de uma antiga estrada de pedra que ligava Rio de Contas e Livramento no período da exploração do ouro. A cachoeira do Brumado é avistada da rodovia verde, a estrada que chega em Rio de Contas. Não tomamos banho nela pois dizem por aí que pode estar poluída pelo esgoto de Livramento. Mas o visual dela é incrível!

Canyon da Cachoeira da Fumacinha (2009): fica próximo a Ibicoara e está se tornando passeio obrigatório. Nós fizemos o trekking para se avistar o canyon. Até conseguimos ficar atrás de uma quedinha d’água mas não é possível ver a cachoeira por inteiro. A vista do canyon é espetacular! A caminhada foi de dificuldade média e valeu de propaganda para fazermos da próxima vez a trilha pelo canyon da Fumacinha, na parte de baixo. Dizem que o trekking é bem difícil mas que o esforço vale à pena!

 

 Canyon da Fumacinha

Cachoeira dos Funis (2005): essa aí, meu amigo, fica no meio do Vale do Pati. Só quem faz as travessias que passam pelo vale é que podem conhecer! A caminhada, que para nós saiu da casa do Sr. Wilson, é fácil e a cachoeira é uma delícia! No caminho, várias quedinhas d´água gostosas .

Ribeirão de Baixo e do Meio (2005/2007/2009): na verdade é um rio com pequenas quedas, formando poços deliciosos para banho e pedras para descanso. Fica em Lençóis e é pouco procurada por turistas, com acesso fácil a partir do centro.

 

Grutas e Poços

            Se você gosta de cavernas, a chapada também é o lugar certo! Existem grutas em toda as cidades que fazem parte do parque, é só escolher quais você prefere visitar. Em algumas delas é possível nadar em suas águas cristalinas.

 

 

 

 

Poço Encantado (2003):  a água é tão cristalina que fica difícil perceber onde começa o meio aquático. As pedras que se localizam a 50 metros de profundidade são vistas nitidamente. A luz que incide indiretamente, cria a tonalidade azulada no lago. Dizem ser mais encantador quando um raio de sol atravessa o poço e reflete o azul para o teto da gruta. Parece que foi interditado pelo Ibama e sua visita está suspensa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poço Azul (2003): também um poço de águas cristalinas, com a diferença que se pode entrar nas águas. Novamente um lugar de sentir pois flutuar nas água dessa caverna dá impressão de estar em outro espaço/tempo.

 

 

 

 
 
 
 
 

 

 

 

Gruta da Torrinhas (2003): uma das cavernas mais interessantes que já fizemos, a Torrinhas possui formações de calcário muito originais como cristais, flores e bolhas. Em algumas partes da caverna, foi necessário se arrastar. Nós fizemos o passeio completo, de mais de duas horas, e achamos que foi tudo muito bem explicado pelo guia local.

 

Lapa Doce (2003): mais fácil de se percorrer do que a Torrinhas, possui salões amplos. O que encontramos de mais interessante foram conchas fossilizadas do período que a chapada era fundo de mar

 

Pratinha (2005): não é bem uma gruta. O rio fica como uma piscina, dá até prá se fazer tirolesa! É bacana colocar um snorkel e fazer flutuação observando peixinhos.

 

 

 

 

 

 

Caverna dos Impossíveis (2009): para chegar na caverna, você precisa descer aproximadamente uns 25 metros por uma trilha difícil. Chegando lá, pode-se nadar em suas águas e a sensação de ficar com as lanternas apagadas, no escuro absoluto, escutando apenas pingos de água é indescritível.

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 

 

 

Travessias e caminhadas

 

Travessia do Vale do Pati (2005): Fizemos a travessia que saiu de Lençóis e chegou em Andaraí. Realmente é uma das caminhadas mais bonitas do Brasil!

            No nosso primeiro dia de caminhada andamos aproximadamente 20 km tranqüilos, saindo de Lençóis e chegando no Capão, tomando banhos em tudo que era rio. Também nesse dia que passamos pertinho do Morrão, um morro imponente no meio da chapada.

            Segundo dia reservou as paisagens mais maravilhosas: os gerais do Vieira e do Rio Preto. Caminhamos no meio desses vales. Esse dia foi mais puxado. Você desce uma chapada para chegar no Pati e essa descida é muito desgastante. Subindo e descendo, descendo e subindo, chegamos a casa do Sr Wilson, no meio do Pati.

            O Sr. Wilson faz parte do Pati. Um dos moradores de dentro do parque, construiu uma casa anexa a sua onde aluga quartinhos para os andarilhos. Também tem área de camping. Tudo é muito simples e não tem energia elétrica. Janta-se cedo, dorme-se cedo, acorda cedo... tudo é ao ritmo da luz do dia! A noite, tem tanta estrela no céu que parece que ele vai cair sobre a sua cabeça.

            O terceiro dia foi de descanso e curtição do lugar. Fomos até a cachoeira dos Funis.

            O quarto dia foi de caminhadas longas e cansativas. Andaraí não chegava nunca e eu estava com uma infecção causada por uma bolha estourada (nunca faça isso!). Mas chegamos a Andaraí, tomamos uma cerveja e pegamos uma carona num carro, gente!!! Assunto para outro post: coisas bizarras que acontecem em viagens.

 

Mirante do Pai Inácio (2003/2005): costumamos falar que o Pai Inácio é o melhor esforço benefício do parque. Uma subida curta leva você ao cartão postal da Chapada. Vá no fim de tarde, quando as cores ficam magníficas!

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tudo isso já foi mar!!!                   

 

 

 

   

 

Morro do Camelo (2009): também um dos melhores lugares para se admirar a paisagem das chapadas, dessa vez na altura do vale. Rendem fotos absurdas de lindas! Nesse ponto, chega-se de carro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Trilha de Guiné (2003): nessa primeira visita a Chapada, fizemos uma trilha que saía de Guiné, subia uma das chapadonas e caminhando  por cima dela, chegávamos ao Mirante do Pati, onde estivemos dois anos depois fazendo a travessia. Indico o passeio para quem não tem tempo de realizar a travessia.

 

 

 

 

 

 

  

Diversos

 

Cemitério Bizantino (2003): Um cemitério no pé da Chapada, todo branquinho, iluminado à noite. Fica em Mucugê

Xique-Xique do Igatu (2003/2009): fomos a segunda vez para confirmar o ditado: insistir no erro é burrice. A estrada para chegar até a cidade feita toda de pedras é horrível para o carro e para o corpo. Chacoalha tudo! Não volto mais, com certeza.

Passeio as comunidades Mato Grosso e Bananal (2003): Em Rio de Contas, fizemos um passeio com um guia local que nos levou a conhecer duas comunidades que moram perto uma da outra, mas com culturas totalmente diferentes. O povoado do Mato Grosso é formado por descendentes de portugueses que chegaram na região no sec. XVII. Fica localizado na área mais alta da Bahia, a 1450 metros de altitude. Vivem da agricultura e é seus quintais são repletos de flores, hortaliças e pés de café, o que nos dá a sensação de uma verdadeira comunidade européia. A comunidade do Bananal é composta por negros fugidos de quilombos, no sec. XVII e XVIII. Lá não tem horta, flores, energia elétrica ou telefone. As casas simples são distribuídas de forma desorganizada, em condições de urbanização precárias. Foi interessante presenciar esses contrastes.

 

 

 

 
Subpages (1): Dicas
Comments